Umas das coisas mais difíceis de definir e entender é a bendita consciência. Todos a tem? Sim mas quem a têm sã. Estamos no começo do Século XXI e a religião ainda é uma ditadura e ainda que não bastase a religião, temos a pseudociência, com seus absurdos a nos convencer que a ignorância é a melhor amiga das mentes despreparadas.
As "exigências" para se ter uma consciência plena são muitas, a questão do conhecimento, a formação do pensamento crítico, a capacidade de "perceber" o ambiente a sua volta, torna o tema bastante amplo como disse no início. Para piorar as ciências humanas não entram em acordo acerca da definição do termo, sociologia, filosofia e psicologia, fazem uma miscelânea de definições como mostra o artigo sobre consciência crítica nos "links interessantes".
A minha esperança anos atrás era que neste século XXI o ser humano fosse caminhar um pouco mais em busca de uma mente mais livre, onde a consciência ficasse mais livre para poder entender seu mundo, saber critica-lo e também sofrer menos. Mas parece que a humanidade caminha na contramão disto. As pessoas continuam acreditando em religiões cada vez mais, legiões de jovens procuram igrejas evangélicas ou católicas e acreditam que Jesus irá regressar, ou numa versão alternativa tentam pelo menos "adivinhar" o que ele pensaria em determinadas situações. Outros tentam justificar o espiritismo de qualquer maneira, e acreditam tão piamente nisto que qualquer pessoa que tente convence-los do contrário será visto com sarcasmo ou simplesmente ignorado. Há outros que acreditam em qualquer superstição que apareça na sua frente desde astrologia até magia negra. Há também aqueles que acreditam que nada disto existe, não acreditam em Deus, mas o fazem simplesmente em contraposição a algum trauma com a religião predominante em sua família, estes não tem a menor cultura. Todos destruiram suas consciências, estão tão alienados em alguma coisa que se esqueceram de pensar, refletir sobre sua existência, enfim compreender seu mundo. Suas mentes estão "presas" em alguma coisa.
Particularmente eu, não estou preocupado com a existência de Deus, e sim com o nível de liberdade de nossas mentes, estar preso em alguma crença, mínima que seja seria contrapoducente. A existència de Deus está tão fora de cogitação que não vale a pena se preocuparmos muito com ele, existe é claro a possibilidade de sua existência, mas acho que é tão remota que estatisticamente é irrelevante. Não ignoro sua importância na mente humana, pois Deus é fundamental na formação do ser humano, mas libertár-mos dele deveria ser obrigatório, e as pessoas deveriam "olhar" os dois lados do pensamento humano, istoé: acreditar em Deus através de uma religião e também através da filosofia, por outro lado. Eu tive esta experiência e foi muito instrutiva, infelizmente a lógica religiosa é muito pobre e tacanha, não dá para confiarmos nos ensinamento bíblicos, eles mais cegam nossa consciência do que abrem. Mas como diria um filosofo "Acreditar em Deus é uma questão de foro íntimo", de modo que vai ser difícil acabar com esta crença, eu também não estou preocupado em acabar com isto, pois é muito fundamental na mente humana.
Outra coisa que vejo nas pessoas hoje em dia é cada vez menos capacidade de formular um pensamento crítico sensato. A maioria critica sem saber, sem ter a menor idéia do que está falando ou criticando, não fizeram um estudo da coisa antes. Acho que isto depende muito da formação cultural das pessoas e como hoje isto está ficando cada vez mais raro esta "formação cultural" talvez não vejamos uma melhora substancial neste quesito. A internet talvez seja a culpada disto, pois temos uma quantidade de informções muito grande mas de forma muito desorganizada e sem nenhuma regra. As pessoas são levadas a procurar fontes duvidosas e muitas vezes apenas prazeres superficiais. Ter um pensamento crítico baseado num conhecimento mais profundo sobre seu mundo é fundamental para formarmos uma consciência ampla.
Há ainda mais um problema que vejo, hoje em dia as pessoas estão cada vez mais infantilizadas, o problema é que parece que cada vez mais as pessoas estão adiando sua entrada no mundo adulto. E mesmo quando o fazem, se esquecem que já não são mais crianças. Preferência por atrações mais fáceis como desenhos, hábitos de leitura comuns em crianças ou infanto-juvenis são um indicador desta imaturidade comumente encontrada na maioria dos jovens com idade mais avançada, istoé 20 para 30 anos. Incapacidade de articular pensamentos mais elaborados são resultados destes hábitos. Outro problema que acredito estar próximo deste, seria também o fato de muitas pessoas terem uma vaidade muito grande, incapazes de pensar procuram o culto a beleza como uma forma de serem superiores por serem mais belos, também seria uma fuga da realidade. Por ironia do destino nas civilizações que começaram a declinar o culto a beleza chegou a seu ápice. As pessoas hoje em dia devido a sua extrema imaturidade atem-se mais a tez.
Podemos concluir que o superficialismo recorrente está destruindo a essência e conseqüentemente a consciência.

