domingo, 24 de fevereiro de 2008

Livro: A China de Deng Xiaoping

Terminei de ler este livro, eu tive a impressão que ele (Deng Xiaoping) é uma das personalidades chave dos séculos XX/XI, pois imaginem o que vai ser a China daqui há alguns anos.
O homem era de uma sabedoria e destreza incríveis, soube manipular o poder a favor de um futuro brilhante para a China, como diria o ditado após a derrocada da Rússia como potência "possa viver tempos interessantes".
O livro discorre sobre o momento final de sua política na China, havia opositores dentro do partido que queriam a volta ao isolamento, mas Deng agiu de forma consciente e objetiva a ponto de voltar ao poder depois de saido de cena e conseguido apoio junto as forças armadas e outros setores da sociedade chinesa a tal ponto que conseguiu dominar o XIV pleno do partido em 1992. Sua preocupação com o povo realmente é impar.
Mas o que mais me supreendeu é o pouco sangue que correu neste interim pois a história de poder na China de Deng não teve sangue derramado. As lutas pelo poder eram de palavras, frases de efeito e influência, nada de ofensas nada de acusações vis, realmente muito parecido com nosso pais não é mesmo?
Deixo aqui embaixo um texto dele sobre sua opinião de Mao e outros políticos anteriores que não se importaram muito com o povo e seu sofrimento e é claro ele se vê como um dos que cometeram alguns erros também.

"A verdade é que, nestes 38 anos desde então (1949), cometemos uma montanha de erros. Nossa meta fundamental — construir o socialismo — é correta, mas ainda estamos tentando compreender o que seja socialismo e de que forma construí-lo. A principal tarefa do socialismo é desenvolver as forças produtivas. Porém nós atuamos muito mal no desenvolvimento das forças produtivas. Isso principalmente porque tivemos pressa demais, adotamos políticas de “esquerda” e o resultado foi que, em vez de acelerar o desenvolvimento das forças produtivas, nós o atrapalhamos. Começamos pelos nossos erros “esquerdistas” no campo da política, em 1957; no campo econômico, esses erros conduziram ao Grande Salto para a Frente de 1958, que redundou em penúria para o povo e estragos imensos na produção. De 1959 a 1961, passamos por tremendas dificuldades — a população não tinha comida, para não mencionar outras coisas. Em 1962, as coisas começaram a melhorar, e a produção gradualmente se restabeleceu no nível anterior.

Mas o pensamento “de esquerda” persistia. Então, em 1966, veio a “revolução cultural” que durou uma década inteira, um verdadeiro desastre para a China. Disseram-nos que deveríamos estar satisfeitos com a pobreza e o atraso, e que era melhor ser pobre em um regime socialista e comunista do que ser rico num regime capitalista. Foi este o tipo de asneira propagada pela Gang dos Quatro. A tese absurda da Gang dos Quatro sobre socialismo e comunismo só gerou pobreza e estagnação.

Nos dois primeiros anos, depois que esmagamos a Gang dos Quatro, nem todos os erros de “esquerda” foram corrigidos. Os anos de 1977 e 1978 foram um período de hesitação na China. Só em dezembro de 1978, quando o XI Comitê Central convocou sua 3a sessão plenária, foi que começamos a fazer uma análise séria de nossas experiências ao longo dos trinta anos desde a fundação da nova China."

Depois dele perceber isto ele então escreve sobre uma nova alternativa a China pos Mao.

"formulamos uma série de novas políticas, notadamente a política da reforma e a política da abertura, tanto interna como externa. Marcamos uma nova linha mestra que iria mudar o foco de nosso trabalho para a construção econômica, derrubando todos os obstáculos e devotando todas as nossas energias ao avanço da modernização socialista. Para alcançar a modernização, implementar a reforma e fazer a abertura política, precisamos, internamente, de estabilidade política e unidade e, externamente, de um ambiente internacional pacífico. Com isto em mente, firmamos uma política externa que, em essência, cifra-se na oposição ao hegemonismo e na preservação da paz mundial."

Como a nossa elite e nossa mídia destroem todos os estadistas ou possíveis estadistas e paparica os medíocres, vai ser muito difícil aparecer um Deng por aqui.